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28 Agosto 2009

De todas as personagens desconcertantes surgidas (ou ressurgidas) na TV nos últimos anos, a mais desconcertante é José Manuel da Costa Teso, o meteorologista da RTP. Tem um nome que já não é deste tempo, de resto enunciado à maneira de um tempo que não é este. Usa um papillon, uma pose e uma mímica que já não são deste tempo também – e, sobretudo, fala de uma maneira que há duas ou três gerações já estava fora de tempo.
“Boas notícias para os bragantinos”, diz Teso. “Tempo menos bom para a Cidade dos Arcebispos”, continua. “Animem-se, egitanienses!”, “Em Aveiro, terra de Zeca Afonso…”, “Muito calor para albicastrenses e escalabitanos”, “Para Lisboa, cidade das sete colinas…”, “Em Setúbal, de Luísa Todi…”, “Para Beja, com o seu famoso pelourinho…”… Ouvi-lo é como voltar aos exames da quarta classe dos anos 50, onde se recapitulavam os monumentos, os rios e os ramais de comboio – e, aliás, não se perdia uma oportunidade para usar um gentílico mais engraçadinho.
Os cavaleiros da TV moderna talvez não gostem dele. José Manuel Teso enche as previsões de palha e desperdiça tempo que podia render publicidade. Mas, naquele seu estilo pomposo, meio Jorge Emiliano (o árbitro brasileiro a quem chamavam “Margarida”, vão ver ao YouTube) e meio senhor-que-diz-adeus-aos-carros-no-Saldanha, traz ao boletim meteorológico da RTP ao mesmo tempo uma comicidade, um interesse e (aliás) uma credibilidade científica que nenhuma manequim conseguiria trazer.

CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 28 de Agosto de 2009

publicado por JN às 19:13

O Dr. José Manuel da Costa Teso, para os amigos Zé do Laço, é um personagem com algo de interesse. Vende boa disposição misturada com meteorologia e alguma cultura. Tudo isto com linguagem gestual, pose distinta e confiança no que se está a oferecer, o verdadeiro serviço público, informação e meteorologia em simultâneo.
sc a 28 de Agosto de 2009 às 23:06

E, no entanto, por causa da comicidade que nos oferece, esqueço-me de o ouvir, logo nunca sei, com ele, o tempo que faria. :)
Rapariga do Norte Com Nome Esquisito a 24 de Setembro de 2009 às 17:59

Excelente trabalho.
Estamos na Semana dos Açores.
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A amizade é o maior triunfo da vida.
JDACT
JDACT a 3 de Março de 2010 às 10:20

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joel neto

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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