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06 Abril 2010

Há algo de pungente e triste, já aqui o disse, na obsessão de Herman José quanto a um regresso imediato à televisão, confirmado o fracasso na TVI. Herman expôs-se demasiado durante demasiado tempo – e, por muito que a ele lhe pareça que está já há uma eternidade ausente dos ecrãs, para os telespectadores parece que foi ontem que estava a dizer brejeirices na SIC e que ainda esta madrugada desfilava a sua decadência na TVI.

Tampouco Herman alguma vez poderá tornar-se no Jô Soares de Portugal. Nem Jô Soares alguma vez foi tão brilhante como Herman José nem Herman José, apesar de tudo (e este “apesar de tudo” é ponderado), alguma vez foi tão culto como Jô Soares. Além do que, de novo, não passou ainda tempo nenhum. Basta Herman sentar-se por detrás de uma mesa, com uma coffee mug na mão, que de imediato o recordamos de cabelo platinado a pisar repetidamente o risco do bom gosto.

Mas o facto é: mesmo que não tenha hoje sequer uma fracção do valor de mercado que já teve, Herman José ainda tem valor como profissional de TV. José Fragoso, director de programas da RTP, percebeu-o bem e decidiu dar-lhe nova oportunidade. Em contrapartida, Herman prometeu-lhe não ceder à facilidade, consciente de que foi precisamente isso o que quase o aniquilou.

De modo que é difícil ler sobre a estreia de Herman 2010, marcada para 17 de Abril (e a anunciar hoje, segundo a imprensa), sem acalentar a vaga esperança de que, mesmo tendo namorado o naufrágio definitivo, o humorista ainda consiga recuperar a sua carreira sem ter de emprateleirar-se durante uma série de anos. Nesse caso, esta deixará de ser uma história triste. O que nunca deixará é de ser pungente.

CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 6 de Abril de 2010

publicado por JN às 23:09

Nota: valido o seu comentário porque não tem insultos ou vernáculo. Esta casa é minha e, ao contrário do que diz, não é uma democracia. JN
JN a 10 de Abril de 2010 às 19:25

Oh Joel isso(que não estamos em democracia aqui) vindo de um critico nao lhe fica nada bem.
Eu concordo com a Joana.
Fica no entanto o meu repeito pela sua opinião.
Cumprimentos
João Martins a 11 de Abril de 2010 às 15:09

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joel neto

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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