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10 Janeiro 2010

Pouco importa se o UFC, ou Ultimate Fighting Championship, é sancionado pelas americanas State Athletic Commissions (que, aliás, apenas foram criadas para sancionar o insancionável). O UFC é um espectáculo degradante, que não devia ter lugar na televisão. Nem sequer nas madrugadas da SIC Radical espaços onde a degradação, mais ou menos estilizada, sempre desempenhou papel de destaque.

Houve um tempo em que muitos jornais se recusavam a publicar notícias sobre o boxe, sublinhando a sua violência e ignorando assumidamente a sua nobreza. Ainda hoje, aliás, o livro de estilo do El Pais declara que “a linha editorial do jornal é contrária ao fomento do boxe”, renunciando o diário madrileno a publicar “notícias que possam contribuir para a sua difusão” – e muitos foram os que lamentaram o contra-senso recente de o jornal oferecer o DVD de Million Dollar Baby, de Clint Eastwood, aos seus leitores.
Pois, ao pé do UFC – como ao pé do vale tudo brasileiro, a primeira inspiração da coisa –, uma transmissão televisiva de boxe parece um programa da Baby TV. No UFC, vale mesmo quase tudo: pontapés e cotoveladas, fazer sangrar o adversário, sangrar para cima dele durante meia hora e continuar a espancar violentamente um homem mesmo depois de ele estar dominado, prostrado no chão ou, até, num estado de semi-inconsciência.
No ano passado, o lutador texano Sammy Vasquez foi directamente do ringue para a morgue. O que muitos estranham é que apenas agora tenha ocorrido uma morte. E o que eu estranho é que os pais portugueses permitam aos filhos oferecer à iniciativa da SIC Radical as audiências necessárias para o canal continuar com ela.

CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 10 de Janeiro de 2010

publicado por JN às 13:50

Valerá a pena dizer que MMA (mixed martial arts) causa menos danos cerebrais que o boxe, visto que como não há paragens de vários segundos até se decidir um possível KO, o que faz com que os níveis de adrenalina não baixem evitando assim que os lutadores corram o risco de sofrer graves danos no cérebro como é sabido que acontece aos pugilistas? Quanto a "sangrar para cima dele durante meia hora" os combates do UFC não têm mais que 3 rounds de 3 minutos ou 5 rounds se for Um combate pelo título, talvez fosse boa ideia o autor se informar melhor sobre um desporto antes de o criticar só porque se sente ofendido. E por falar em sangrar, todos os combates contam com a presença de médicos e sempre que um lutador sofre um corte o combate sofre uma pausa para que o médico possa ver e decidir se o combate deve continuar ou não. E até parece que nunca ninguém morreu num ringue de boxe, porque é que o autor não defende o fim desse desporto também? Ou já agora do futebol, já morreram mais jogadores num campo de futebol do que num ringue da UFC, e o Sammy Vasquez (que já morreu em 2007...estranho o autor não ter exemplos mais recentes) não era lutador da UFC, mas sim duma companhia regional, a UFC é uma empresa mundial que paga milhares e milhões aos seus lutadores, não uma empresa rasca como se possa pensar ao ler esta crónica. Trata-se de um desporto que incorpora várias artes marciais como por exemplo o Jiu-jitsu, o Judo, o Muay Thai, o próprio Boxe, o Wrestling, o Karaté, etc. Por isso se os melhores lutadores do mundo, das artes mais exigentes que existem, aceitam combater na UFC e noutras companhias de MMA então talvez não se trate do desporto degradante que o autor pensa ser.
... a 10 de Janeiro de 2010 às 18:14

Opah, por favor... Poupem-me.
Luís Salvador a 10 de Janeiro de 2010 às 19:07

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Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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