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23 Setembro 2009

Era a pergunta que, lá no fundo, o Rock In Rio, o Sapo e a SIC faziam. Concorreram centenas de raparigas de todo o país. No fim, ganhou Sofia Brazão, uma madeirense de 23 anos. Está a estudar Medicina, mas entretanto decidiu esgotar primeiro a possibilidade de ser estrela. Se não corresse bem, pois sim, lá teria de ser médica e pronto. Felizmente para ela, está concretizado: Sofia Brazão “é” estrela. Nem sequer é candidata: ganha a vaga de “cara” do Rock In Rio Lisboa 2010, a imprensa da especialidade já não a larga – e por todo o lado se lhe vai agora chamando “menina”, ao melhor estilo Playmate, o que nestes casos parece ser a melhor garantia de todas.

Desculpem-me se vos pareço moralista, mas o facto é que, em casos assim, é precisamente isso que eu sou. Sofia Brazão é uma rapariga esperta (esperta o suficiente para entrar para Medicina), mas também uma mulher bonita, cheia de “atitude positiva, alegria contagiante e capacidade de comunicação”, como explicou o comunicado final do Casting. E, portanto, não lhe chega conquistar aquilo com que nenhuma das outras pode sequer sonhar: ela tem de conquistar aquilo que todas as outras querem. Agora, há-de dizer que vai apresentar o Rock In Rio e voltar tranquilamente à profissão de médica. Eu temo que se habitue à deferência, à fama e ao dinheiro. No fim, ter-se-á perdido uma médica linda para ganhar apenas mais uma Carolina. Não haverá tragédia nisso?

CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 23 de Setembro de 2009

publicado por JN às 23:04

Seria dramático perder uma médica e ganhar uma Carolina,em especial porque parece,dizem as notícias, que Portugal não tem médicos que cheguem;e,além disso, ser uma Carolina é tão pouco,pelo menos no meu conceito!!!(Eu nunca gostei da Carolina,já escrevi sobre isso algures no meu blogue e tudo,eheheh,a propósito do incidente das grainhas!!!Mas esta menina não me está a causar urticária cerebral à primeira vista como sucedeu com a Patrocínio...por isso, há que lhe dar uma hipótese!!)No tempo dos meus pais quem quisesse ser alguém e ter prestígio ia para medicina.Ficaram muito desapontados comigo pois eu preferia veterinária -ainda hoje sou uma coração mole com os bichinhos-e depois acabei por me enredar nas leis...e não correu bem pois afinal que eu queria mesmo era ter uma daquelas profissões socialmente inúteis:ser pintora.Joel,imagine, há 25 anos atrás isto era quase como ter um filho "drógado"!!!Bem vistas as coisas a minha opção era similar à da menina Rock in Rio.Mas hoje ser alguém é apenas conseguir ter mais do que 15 minutos de fama, pois cada vez mais toda a gente consegue pelo menos 15 minutos de espalhafato público seja a cantar,a abanar o esqueleto ou a fazer comédia-em-pé,ou aparecer nos apanhados,não faltam hipóteses.Essas pessoas é que são socialmente prezadas.É cá um equívoco!!Mas todos nós de vez em quando contribuimos.Até aprece que eu quero o fim desta malta!Não.Eles também são precisos.Eu só queria é que essas pessoas fossem mesmo boas profissionais e tivessem consciência do seu lugar.E isso é que não acontece, por culpa delas e nossa,infelizmente!
belinha a 24 de Setembro de 2009 às 11:43

És mau! :)
Deixa lá a rapariga ter os seus 15 minutos de Fast-fame.
Rapariga do Norte com Nome Esquisito a 24 de Setembro de 2009 às 17:47

Tenho uma sugestão para um neologismo: Celebrismo. Uma doença que parece afectar sobretudo os estúpidos , mas não só , como se comprova com o triste caso da Sónia Brazão. Sempre pensei que ,a fama era um preço que se pagava por se ser excepcional . Tenho uma certa dificuldade em entender a atracção da fama apenas pela fama. Trocar o desafio intelectual do exercício da medicina pela bajulação de mentecaptos é algo que sinceramente eu não entendo. Se isto me faz moralista , então moralista serei.
jorge espinha a 26 de Setembro de 2009 às 00:29

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joel neto

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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