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01 Setembro 2009

Uma triste confissão de Carolina Patrocínio sobre as suas exigências na hora de comer fruta tornou-se, nos últimos dias, arma de arremesso contra Sócrates. Para os humoristas que se espalham pelas rádios, pela blogosfera e pelas redes sociais – e sejam eles humoristas profissionais ou apenas de circunstância – a forma tonta como Carolina exige comer as uvas e as cerejas (apenas depois de a empregada lhes extrair as grainhas) não é só um sinal dos caprichos e das manias que podem apoderar-se de uma betinha de Lisboa, mas também um sinal da frivolidade e da ligeireza do PS ao apoderar-se da imagem de uma betinha de Lisboa para angariar votos.
Por um lado, têm razão. Por outro, já não se pode ouvi-los. É que, por cada mandatária da juventude tonta que o PS tiver, o PSD há-de ter outra – e, entretanto, a CDU, o BE e o CDS hão-de ter as suas também. Um mandatário da juventude serve exactamente para isso: para sorrir para as câmaras enquanto os apparatchik das “jotas” colocam aquelas que entretanto convencionámos serem as “questões da juventude”, que são os casamentos gay, a despenalização do consumo de drogas e a liberalização do aborto. Basicamente, está tudo errado – e se uma tonta da TV se deixa apanhar nessa malha, pois é apenas mais uma cúmplice vitimada por fogo amigo.
Hoje é dia 1 de Setembro, arranque oficial da rentrée. O ideal é arranjarmos outro tema, que Carolina Patrocínio não tem fôlego para sobreviver à silly season.

CRÓNICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 1 de Setembro de 2009

publicado por JN às 11:34


Nem fôlego, nem coisa alguma: é um não assunto. O tema, claro está, não será as grainhas ou os caroços de cerejas, mas sim o modo como as instituições que deveriam ser condignas e sérias, enaltecem gente sem eira nem beira, apenas porque um sorriso, umas pernas, um umbigo, um cérebro permanentemente de férias. Não que tudo isso ( à excepção da condição de um cérebro que não impede o seu portador de se expor ao ridículo sem qualquer censura prévia)não possa ser importante. Mas, a sê-lo, pois será para outras gentes e noutras paragens. A mim pouco me interessa se a Patrocínio come uvas com grainhas, se engole os caroços das cerejas ou se é doida por frangos assados. Interessa-me sim, que uma actividade de origens nobres como é a política, se encontre neste estado. Carolina Patrocínio é ridícula, mas o PS, ou melhor, o palco político em que o teatro se desenrola, tornou-se mais digno de sentimentos de pesar do que de crédito, o que, enfim, não diz muito bem nem deste tempo nem destas pessoas. A política, que foi uma actividade tão nobre em tempos antigos, tornou-se numa miserável palhaçada. a mim parece-me a única coisa a reter do assunto. O que também já não é novidade.
ana celeste mendes a 2 de Setembro de 2009 às 12:19

a carolina patrocínio e o pedro granger estão bem um para o outro. vivam as jotas e tudo de giro que lá se faz, incluindo as "mickey" que lá se tomam. yei.
cat bloom a 14 de Setembro de 2009 às 12:02

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joel neto

Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974. Publicou “O Terceiro Servo” (romance, 2000), "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002), “Al-Jazeera, Meu Amor” (crónicas, 2003) e “José Mourinho, O Vencedor” (biografia, 2004). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista, tem trabalhado... (saber mais)
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